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Terça-feira, Novembro 9as aulas já começaram
As aulas , as minhas (de ritmos latinos, se bem se lembram), já começaram na quarta-feira da semana passada. Primeira matéria a ser estudada: merengue. Ontem foi a segunda lição e amanhã vai ser a terceira. É angustiado que espero por ela porque o que está a acontecer é ainda pior do que aquilo que eu temia, aliás, pior não podia ser. Não é por causa do professor, que é fixe e muito competente. Não é por causa da matéria, que até é aliciante e me vai ser muito útil para melhorar a minha técnica de engate. Também não é por causa das miúdas, elas são lindas e uma autêntica fartura de simpatia. O problema são os gajos - nem um além de eu próprio!Se amanhã a situação não melhorar, não sei como vai ser. Até quando o professor vai conseguir adiar o momento fatal de nos mandar dançar agarrados? Ou será que fico condenado a uma dance line? A ver vou... Terça-feira, Novembro 2de como a batata dá pano para mangas
Um blog que palpita que nem uma frita. Ora cá estava um tema para navegar na net. Abri o Google,
pesquisei «batata» e, por causa da rima do lema, também «poesia». Segue-se o que me foi oferecido
na primeira página dos resultados.
1. Para começar, um blog, Pensamentos de uma batata transgênica, onde, além de alguma apetência pelo esoterismo, encontrei um umbigo que vale por dois e a letra de Blue Moon, do Elvis. 2. Seguiu-se, no site da L&PM Editores, o portentoso Uivo para Carl Solomon, de Allen Ginsberg. Tomei a liberdade de piratar o naco onde aparece «batata»: [...] que exigiram exames de sanidade mental acusando o rádio de hipnotismo & foram deixados com sua loucura & suas mãos & um júri suspeito,Pela amostra, percebe-se que vale a pena ir lá ler tudo. 3. Alimentado o espírito, voltemos a atenção para a barriguinha, que também enforma a nossa cultura, com uma receita de Kieger de Batata gentilmente cedida por Eliana Gutman, a Tzipora!:
4. Em ZUNÁI - Revista de Poesia & Debates, este precioso naco de hermética prosa que ando entretido a decifrar: Leu na internet, uma banda igual a do Arrigo. Seria o Arrigo. Uma banda igual a dos Beatles. Era muito mais criança ainda. Sentado na motocicleta, na garupa, abraçada, sentia as coxas, filava o jantar quando tinha batata palha, muito antes, chamaram para jogar bombinhas no corredor, lia Dico, o Artilheiro, usava uma roupa preta toda colada no corpo, as coxas, dormia com ela, era apaixonado, ficava apaixonado toda hora, a filha mais nova dos Robinson, era muito criança, sonhou com um filho.5. Outro blog, Tou no Top - Poesia e não só! (Poesia a granel e imagens de se lhes tirar o chapéu). Num post de 4 de Março, uma surpreendente Polémica da BatataDe facto, isto de se ser erudito tem muito que se diga. Para os eruditos, a vida não está nada fácil! 6. Domi Chirongo, um poeta moçambicano, serve-nos uma magoada e irónica batata africana: Batata africana7. Mais poesia, que a batata, pelos vistos, é musa deveras inspiradora. Astrid Cabral, não podia deixar de se lembrar da batata na sua longa e empolgante Elegia Derramada, de que noticio o bocadinho da batata. Antes e depois é de não perder. [...]pardas praias em que aportam catraias de relutantes peixes, cais de diligentes incansáveis guindastes abastecendo a cidade de esnobes fomes de batata inglesa, manteiga da Holanda, rubros redondos queijos do Reino, vinhos da França, linhos da Irlanda e mais mil cargas de sonhos e fugas estocadas nos anchos bojos de vapores tisnados de Europa, vigias fedendo a gringa maresia, [...]8. ÁLAMO DE OLIVEIRA (poeta, dramaturgo, artista-plástico: activista açoriano!) encerra esta curta viagem usando a batata cozida com casca como metáfora da nossa indiferença. Será justo? POEMA XXI(in A Memória da Água-Viva, 7, revista açoriana de cultura, 1980) Segunda-feira, Outubro 18regresso às aulas Ele são mestrados, doutoramentos, pós-graduações, em suma, um nunca mais acabar de estudos em que vejo toda a gente a ingressar. Pois fiquem a saber que também resolvi regressar à escola: acabo de me matricular numa classe de ritmos latinos!Digo regressar porque, com esta, é a terceira vez que tento uma licenciatura em danças de salão. As duas primeiras tentativas fracassaram pela razão do costume - gajas a mais. Isto é, as que se matricularam comigo sempre entenderam, com alguma razão, que detinham o exclusivo da minha pessoa quando chegava a altura do acasalamento para praticar os passes, estando-se nas tintas para as desamparadas que tinham de dançar sozinhas ou umas com as outras. Eu, pelo meu lado, com a natural generosidade masculina, nunca tive coragem de cometer tamanha crueldade e, de vez em quando, se calhar com mais frequência do que a adequada, lá cometia a traição de dançar com outras (que não se privavam de dirigir uns olhares de triunfante sacanice à traída). Como devem calcular, o ambiente tornava-se frequentemente tenso e depois das aulas lá vinham as inevitáveis recriminações que acabaram por se saldar no abandono dos cursos. Vamos lá a ver como é que desta vez as coisas vão correr. Estou com fé. |
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